Editora: Suma de Letras
Páginas: 312
#skoob#
Em A Chave de Sarah, Julia Jarmond, uma jornalista americana que vive na França, é designada para cobrir as comemorações do 60º aniversário do Vel d'Hiv, episódio do qual ela nunca ouvira falar até então. Ao apurar os fatos ocorridos, a repórter constata que o apartamento para o qual ela e o marido planejam se mudar pertenceu aos Starzynski, uma família judia imigrante que fora desapossada pelo governo francês da ocupação, e em seguida comprado pelos avós de Bertrand. Julia decide então descobrir o destino dos ocupantes anteriores - e a história de Sarah, a única sobrevivente dos Starzynski, é revelada.
A família de Sarah foi uma das muitas brutalmente arrancadas de casa pela polícia do governo colaboracionista francês. Michel, irmão mais novo da garota, se esconde em um armário, e Sarah o tranca lá dentro. Ela fica com a chave, acreditando que em poucas horas estará de volta.
A Chave de Sarah retrata a sofrida jornada da menina em busca de sua liberdade: dos terríveis dias em campos de concentração aos momentos de tensão na clandestinidade, e, por fim, seu paradeiro após a guerra. E à medida que a trajetória de Sarah é revelada, mais segredos são desenterrados.
Uma leitura que deve ser feita com calma e com o coração leve, mas
sabendo que ao final ele estará bem pesado pelos mais diversos sentimentos.
Leia e se emocione...
***
A chave de Sarah foi um livro que encontrei
numa pequena livraria (que nem existe mais) e que à primeira vista não dei
muito crédito nem atenção. Não era um livro que estava em destaque nas
prateleiras ou nas listas de mais vendidos, portanto, o que haveria nele para
chamar a atenção? Descobri o que era depois de uma nova ida à livraria e de dar
certa atenção aquele livro que estava sempre nas últimas prateleiras e que era
quase invisível aos olhos dos clientes.
Lendo a sinopse minha curiosidade
já foi altamente aguçada, pois uma parte da história se passava no período da 2ª
guerra mundial e a outra na França dos dias atuais. Folheei as primeiras
páginas do livro e como eu já imaginava me vi fisgado pela história e por uma
das duas protagonistas. Dentro da livraria mesmo terminei de ler o primeiro
capitulo e comecei a ler o segundo. Ao final dele também já estava fisgado pela
segunda protagonista, então, não tinha mais o que fazer se não levá-lo para
casa. Foi o que fiz!
Mergulhei na leitura do livro e a
cada página me via mais envolvido com aquela história e seus personagens. De cara
eu já sabia que viria pela frente uma história triste, mas confesso que não
imaginei que fosse ser tão trágica, tão dolorosa. Talvez até desse para supor
que fosse ser uma história trágica, afinal, se passa em um dos períodos mais terríveis
da história da humanidade, a 2ª guerra mundial. Mas mesmo assim o final da história
foi bem mais trágico do que eu podia imaginar; me deixou estarrecido, triste, e
pior, pensando que a possibilidade de alguém ter passado por algo semelhante
aquilo em sua vida era bem real.
A chave de Sarah vai nos mostrar a
história de vida de Sarah Starzynski, uma menina de família judia que numa
madrugada de julho de 1942 vê sua casa ser invadida pela policia francesa sem
motivo aparente. Aterrorizados com a situação e sem ter nem uma explicação, a família
de Sarah é brutalmente retirada de seu lar. Antes disso a menina tranca seu
irmão mais novo em um esconderijo que só eles conhecem e promete voltar para
buscá-lo em poucas horas. Sarah só não imaginava o horror que estava para se
revelar em seus dias futuros.
A chave de Sarah vai nos mostrar
também a história de vida de Julia Jarmond, uma jornalista americana que vive
na Paris dos dias atuais desde que se casou com um francês. Julia recebe a incumbência
de fazer uma reportagem sobre os 60 anos de um evento ocorrido na França
durante a 2ª guerra mundial, que até aquele momento ela não fazia ideia que
acontecera. Pesquisando sobre o acontecido e investigando alguns fatos, Julia se
depara, escandalizada, com uma mancha negra no passado da França e aos poucos
vai descobrindo que de certa forma a família de seu marido também está
envolvida no acontecido.
O pano de fundo da história é o
evento que ficou conhecido como ‘Razia
do Velódromo de Inverno’, que consistiu no aprisionamento em massa de judeus
nos dias 16 e 17 de julho de 1942. Quase treze mil judeus, na maioria mulheres
e crianças, foram arrancados de suas casas pela policia francesa e depois levados
para um campo de deportação que ficava na França, sendo depois transferidos
para o campo de concentração de Auschwitz, ou seja, para a morte. É com esse
fato histórico hediondo que a autora constrói uma história tocante, emocionante
e infelizmente, triste.
Do inicio até mais ou menos metade do livro os capítulos
são intercalados entre Sarah e Julia, o que deu uma dinâmica excelente à
narrativa e nos proporciona um conhecimento maior de cada uma das duas
personagens. Os capítulos pelo ponto de vista de Sarah são os mais densos e
mais sofridos, claro. Acompanhamos com muito pesar toda a jornada sofrida que
Sarah passa para voltar ao encontro do irmão e cumprir a promessa de
resgatá-lo. Pelos olhos dela vemos toda a crueldade que foi imposta ao povo
judeu pelo povo francês (o que me surpreendeu, pois não conhecia esse fato da
história!). Os capitulos com Julia são narrados por ela mesma (os de Sarah são
em 3ª pessoa) e são tão bons quanto os de Sarah. Juntamente com Julia
acompanhamos toda a investigação que ela faz para descobrir o que aconteceu
durante aquele período e, em especial, o que aconteceu a única sobrevivente da família
Starzynski. Paralelo a isso acompanhamos também a difícil relação conjugal de Julia
após descobrir que está grávida aos 40 anos e sua difícil relação com a família
de seu marido e com sua filha.
Uma criança sozinha em meio aos horrores da
guerra e uma mulher que mesmo tendo sua família presente, parece estar sozinha.
Assim são Sarah e Julia, cada uma em sua época, separadas por 60 anos, mas de
alguma forma ligadas pelo destino com alguma finalidade. Duas personagens muito
bem delineadas, Sarah e Julia têm em comum a perseverança e obstinação em
alcançar seus objetivos, mesmo que eles pareçam quase impossíveis. É emocionante
acompanhar a luta de Sarah para cumprir a promessa feita ao seu irmão. Tudo o
que ela passa, o que ela enfrenta sempre com a chama da esperança ardendo em
seu coração. A luta de Julia em descobrir tudo o que aconteceu naquele passado,
de que forma a família de seu marido está envolvida naquilo e sua luta pessoal
para por em ordem a bagunça que se tornou sua vida intima.
Então chegamos ao final do livro e tudo é
esclarecido. A tragédia e o horror da guerra prevalecem, uma vida continua aos
pedaços e novamente a tragédia prevalece. Segredos são revelados, culpas
continuam amargando no coração com a esperança de um dia encontrar perdão. Mas no
fim de tudo o que realmente prevalece é a vida e o amor.
E o livro foi adaptado para o cinema, mas ainda não assisti o filme. Será que ficou bom?!
Trailer do filme 'A chave de Sarah'.

